sábado, 30 de junho de 2012

A boca no centro das atenções


A boca no centro das atenções

A medicina não reparava muito nela e a odontologia cuidava apenas dos problemas localizados. Agora, as duas disciplinas se uniram para estudar a relação entre a saúde da boca e o que acontece no restante do organismo. E vice-versa

Aretha Yarak - Revista VEJA
Escovar os dentes, usar o fio dental e visitar o dentista a cada seis meses ajuda a evitar inflamações nas gengivas - problema que pode estar relacionado com outras doenças sistêmicas
Escovar os dentes, usar o fio dental e visitar o dentista a cada seis meses ajuda a evitar inflamações nas gengivas - problema que pode estar relacionado com outras doenças sistêmicas (iStockphoto)
Placas dentárias podem aumentar em até 80% os riscos de uma morte prematura causada por câncer. O alerta, publicado recentemente no periódico British Medical Journal, é apenas o mais recente de uma série de estudos que vêm movimentando a odontologia e a medicina. Recentemente, o avanço na tecnologia de detecção de doenças e um movimento realizado pela classe odontológica "para trazer a boca de volta ao corpo” — ou seja, estudar sua relação com o resto do organismo — alavancaram o número de estudos que relacionam as duas áreas. Como resultado, foi desvendada uma série de relações entre infecções que ocorrem na boca e problemas cardiovasculares, diabetes, obesidade, câncer, osteoporose, parto prematuro e nascimento de bebês abaixo do peso. 

Saiba mais

DOENÇA PERIODONTAL
A infecção crônica de origem bacteriana que atinge a gengiva e os tecidos dos dentes. A doença é causada pelo acúmulo de bactérias entre os dentes e a gengiva, e pode levar à perda dentária. Problema dentário mais comum em adultos, a periodontite é ainda uma das doenças inflamatórias crônicas mais comuns no mundo. Sua forma inicial, e mais comum, é a gengivite, caracterizada por uma inflamação leve das gengivas — que ficam avermelhadas, inchadas e chegam a sangrar. A evolução da doença pode levar anos, causando a perda de tecido de suporte do dente — como o ósseo —, o que acaba por ocasionar a perda de um ou mais dentes.
A ideia de relacionar a saúde bucal com problemas em outras áreas do corpo surgiu no início do século XX. Nessa época, acreditava-se que infecções com origem na boca poderiam ser a causa direta de outras doenças – nascia aí a tese da infecção focal. "Foi uma catástrofe, várias pessoas tiveram os dentes arrancados desnecessariamente. A odontologia acabou sendo desconsiderada pela medicina", diz Giuseppe Romito, professor titular de periodontia da Universidade de São Paulo. Acreditava-se, sem qualquer base científica, que arrancar os dentes com problemas evitaria que a infecção fosse disseminada.
Segundo o especialista, a meta agora é fazer com que a boca volte a ser entendida como uma parte integrante do corpo. Em outras palavras, os dentistas vêm tentando provar cientificamente que o que acontece dentro da boca tem uma relação direta com o funcionamento de todo o organismo.
Prova científica — Foi apenas na década de 1970, quando o dentista americano Steven Offenbacher realizou pela primeira vez um teste clínico que ligava processos inflamatórios na boca com a ocorrência de parto prematuro, que a relação boca e corpo começou a ser levada a sério novamente. Teria início, então, uma caçada científica por quaisquer relações com as demais inflamações do corpo. Dezenas de estudos conseguiram confirmar os achados de Offenbacher e encontraram ainda conexões dos males bucais com diabetes, doenças cardiovasculares, pulmonares, de próstata, osteoporose e câncer.
Quando começou suas investigações, Offenbacher pôde estabelecer apenas uma relação epidemiológica entre as inflamações na gengiva causadas por bactérias e parto prematuro. Hoje, no entanto, uma série de estudos conseguiu provar com mais precisão a relação entre essas duas condições. Em uma pesquisa publicada em 2007 no Journal of Periodontology, o especialista mostrou que quanto mais cedo se der a exposição às bactérias, maiores serão os riscos do parto prematuro. Nos dados coletados por Offenbacher, descobriu-se que a exposição com 32 semanas de gestação aumentava os riscos de parto prematuro 3,7 vezes. Com 35 semanas, o risco aumentava duas vezes.
Efeito cascata — As infecções bucais podem causar prejuízos aos demais órgãos por dois processos inflamatórios diferentes. No primeiro e mais simples, as bactérias alojadas na gengiva se deslocam pelo organismo e se instalam em determinados órgãos, prejudicando seu funcionamento. Nesse caso está o mais conhecido dos problemas, e o único que é, de fato, causado diretamente pela inflamação na boca: a endocardite bacteriana. "A bactéria da gengiva viaja pela corrente sanguínea até as veias coronárias (que levam sangue ao coração) e se alojam ali, infeccionando a membrana da válvula", diz Rodrigo Bueno de Moraes, periodontista e consultor da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). Em abril deste ano, a Academia Americana do Coração (AHA, sigla em inglês) publicou um artigo no periódico médico Circulation confirmando que existe, de fato, uma associação entre a doença periodontal e a arteriosclerose (endurecimento das artérias). Apesar da relação, não é necessário que pessoas com boa saúde procurem um cardiologista a cada inflamação na gengiva. 
Há uma segunda maneira pela qual as doenças bacterianas que ocorrem na boca repercutem em outras partes do corpo. Enquanto luta para exterminar as bactérias invasoras que tiveram origem na boca, o sistema imunológico libera diversas substâncias no organismo. Isso causa um desequilíbrio químico, elevando os níveis de substâncias que interferem no funcionamento de órgãos, do metabolismo e de sistemas inteiros do corpo. É o caso, por exemplo, do diabetes. O processo inflamatório na gengiva não causa a doença, mas ajuda a desequilibrar o balanço químico do organismo, dificultando, assim, o controle dos níveis de glicose. Mas a relação entre as condições é uma via de mão dupla. O diabetes, por si só, pode piorar quadros de inflamação gengival.
Em pesquisa publicada no periódico The Journal of the American Dental Association (JADA), o pesquisador IB Lamster descobriu que conforme o índice glicêmico de pacientes com diabetes perdia o controle, os efeitos colaterais da doença nas inflamações da gengiva ficavam mais sérias. Esse mesmo desequilíbrio químico pode estar relacionado ainda com problemas como câncer, parto prematuro e nascimento de bebês abaixo do peso, artrite reumatoide e obesidade. Prestar atenção ao que acontece na boca, está provado, pode ser não só uma boa maneira de evitar doenças, mas também detectá-las.

Fuja das bactérias

Dados epidemiológicos estimam que 90% da população mundial têm gengivite e que 30% têm doença periodontal. Para manter a boca livre das bactérias é preciso escovar os dentes e usar o fio dental, no mínimo, duas vezes por dia. “Não adianta repetir o procedimento dez vezes, se você não escovar ou limpar corretamente”, diz Romito. É recomendado ainda que se faça visitas semestrais ao dentista, com realização de exames de sonda (análise da gengiva) e de raio-X (análise dos ossos do maxilar). O procedimento é protocolar e deve ser pedido em toda consulta de rotina. Alguns materiais, porém, oferecem maior proteção, como, por exemplo, a escova interdental. Ela é mais eficaz que o fio dental para limpeza entre os dentes. Existe também a escova de tufo único, que costuma ser indicada para pacientes que têm doenças periodontais, como um complemento à escova comum.

Sinal de alerta

Mesmo quem mantém uma disciplina exemplar de limpeza dentária corre o risco de deixar algum canto mal limpo, dando brecha para a infestação de bactérias. Segundo dentistas, é difícil conseguir deixar a boca completamente limpa - por isso, a importância da visita regular ao dentista. “É importante lembrar ainda que o fio dental não remove apenas a sujeira entre os dentes. Ele também retira as placas bacterianas”, diz Rodrigo Bueno de Moraes, da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). Sangramentos durante a escovação ou o uso do fio dental são indícios de uma possível inflamação – e não de uma limpeza feita de maneira errada.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A longa história da cárie


Interessante  matéria do Jornalista Fernando Reinach - O Estado de São Paulo.
Muita coisa melhorou na vida do Homo sapiens nos últimos 20 mil anos, mas uma piorou: a quantidade de cáries. É o que concluiu um grupo de dentistas, antropólogos e arqueólogos.
Saber se diabete ou hipertensão eram frequentes na Idade da Pedra Lascada é praticamente impossível. Esqueletos, ruínas e artefatos são tudo de que dispomos para entender como era a vida de nossos ancestrais.
Algumas vezes encontramos ossos quebrados e marcas de pancadas nos crânios, o que permite avaliar o nível de violência ou os acidentes do no dia a dia. Mas talvez nunca venhamos a saber a incidência de doenças metabólicas ou a prevalência da obesidade.
Mas, se essa ignorância incomoda os médicos, os dentistas têm mais sorte. A quantidade de fósseis de crânios humanos é enorme. Muitos se dedicam a verificar o estado dos dentes de nossos antepassados, correlacionando seus achados com a época em que viveram, seus hábitos alimentares e a idade de cada um.
Nossos parentes distantes, os macacos, dificilmente apresentam cáries durante a maior parte de sua vida. Elas e outras doenças dentárias só aparecem no final da vida e são sinal de envelhecimento.
O que sabemos dos dentes de nossos ancestrais mais antigos vem do exame de crânios de humanos que viveram antes do desenvolvimento da agricultura. Examinando mais de mil crânios dessa época, foi constatada pelo menos uma cárie em só 2% dos indivíduos. Eram coletores e caçadores, comiam raízes, frutos, sementes duras e um pouco de carne.
O estado dental começou a piorar há 13 mil anos, no Neolítico, quando surgiu a agricultura. Nessa amostra de crânios, 9% deles possuíam uma cárie. Nessa época o consumo de grãos moídos, ricos em carboidratos, começou a fazer parte da dieta humana. Muito depois, tanto no Egito (há 3,3 mil anos) quanto nos crânios de aborígenes australianos (há uns 70 anos), a quantidade de cáries era próxima a 2%, mas esses povos não haviam adotado completamente a dieta rica em grãos típica das civilizações que adotaram a agricultura.
Açúcar. Nas populações europeias, há até 4 mil anos, a quantidade de crânios com cáries era de 10%. Há cerca de 2,3 mil anos, Alexandre, o Grande, trouxe o açúcar à Grécia. A quantidade de cáries aumentou lá, em Roma e depois em toda a Europa durante a Idade Média. O mesmo ocorreu na Inglaterra, quando, após a conquista das Índias, os navios trouxeram grandes quantidades de açúcar. O imposto sobre o açúcar foi reduzido em 1874 e o consumo explodiu. A partir desse momento, mais de 90% dos crânios ingleses possuem múltiplas cáries em quase todos os dentes.
Nessa época a alta incidência de problemas dentários fez com que as pessoas passassem a limpar os dentes: surgiram escovas, pastas, dentistas. Essa nova tecnologia estancou a incidência de cáries, que estabilizou em nível alto (50% a 90% das pessoas com cáries) na a Europa até meados do século 20. Em 1970, foi introduzido o flúor na água, o que melhorou um pouco a situação. Agora, no início do século 21, pela primeira vez a incidência está aumentando novamente.
A introdução de carboidratos purificados (amido) e solúveis (açúcar) em nossa dieta é provavelmente o grande culpado pelas cáries. Esse estudo é um bom exemplo de como a evolução tecnológica da humanidade é muito mais rápida que a biológica.
Nossa espécie viveu por milhões de anos comendo raízes, frutas, grãos e carne. Sobreviveram os indivíduos com dentes que resistiam nesse ambiente, mesmo sem higiene bucal. Mas o homem descobriu a agricultura e, com ela, carboidratos fáceis e baratos. E começou a consumi-los, apesar de seus dentes não estarem adaptados. Os dentes passaram a apodrecer rapidamente, o que deveria ter pressionado a população a comer menos destes alimentos. Mas novas tecnologias, como a escova e a dentadura, livraram-nos da pressão seletiva, a força maior da evolução.
A lição é simples: qual a melhor dieta para o ser humano? Aquela para a qual fomos selecionados durante milhões de anos, a dos que viveram antes da descoberta da agricultura.
* BIÓLOGO
MAIS INFORMAÇÕES: AN EVOLUTIONARY THEORY OF DENTISTRY. SCIENCE,  VOL. 336,  PÁG. 973,  2012

terça-feira, 22 de maio de 2012


Como escolher meu dentista?


Um bom início é pedir referências para as pessoas em quem você confia: seus amigos, membros de sua família, conhecidos, colegas de trabalho, seu farmacêutico ou o médico da família. Pergunte a eles com que tipo de dentista fazem o seu tratamento dentário (clínico geral ou especialista), há quanto tempo tratam com este profissional e como é o relacionamento que mantém. É importante que você escolha um dentista com quem você se sinta bem.

Para escolher bem seu dentista, você pode também:
  • Ligar para uma associação de dentistas e solicitar uma lista dos profissionais recomendáveis.
  • Fazer uma busca na Internet. A cada dia aumenta o número de dentistas que têm sites onde explicam seus métodos de tratamento.

Que tipo de dentista eu estou precisando?

Os profissionais com formação geral são treinados para fazer todo tipo de tratamento e podem, se for preciso, indicar um dos especialistas relacionados abaixo:
  • Odontopediatra: especializado no atendimento de crianças.
  • Endodontista: diagnostica e trata de enfermidades da polpa dentária e canais radiculares (muitos dentistas gerais também fazem tratamentos de canal).
  • Protesista: especializado na confecção de coroas , próteses dentárias fixas, removíveis ou próteses totais conhecidas comodentaduras .
  • Patologista bucal: usa procedimentos laboratoriais para diagnosticar problemas bucais. Também é especializado em odontologia forense.
  • Cirurgião bucal/maxilofacial: remove cistos, tumores e dentes. É preparado para corrigir fraturas ou outros problemas que exijam tratamento cirúrgico, inclusive da articulação temporomandibular (ATM ). Esses profissionais também usam métodos de cirurgia plástica para eliminar ou reduzir problemas do maxilar e da face.
  • Ortodontista: especializado na correção da posição dos dentes por meio de aparelhos ortodônticos.
  • Periodontista: especializado no diagnóstico e tratamento das doenças da gengiva.

Como se tornar um dentista?

Para se tornar um Dentista, é necessário ingressar num curso de Odontologia reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação)e pelo Conselho Federal de Odontologia. O curso tem duração de 5 anos ou 10 semestres e dá direito a licença pelo Conselho Federal de Odontologia, através do nº de CRO, emitido pelo Conselho Regional de Odontologia de seu estado. Após o término do curso, geralmente realiza-se um curso de especialização, onde o dentista escolhe uma das áreas da Odontologia para atuar Ortodontia, Periodontia, Odontopediatria, Cirurgia, entre outras)


quarta-feira, 14 de março de 2012

Aparelho nos dentes, antes motivo de piada, agora é moda




                   Sorriso metálico virou moda. Aparelhos para os dentes têm borrachas coloridas e em forma de bichos, são feitos com material que brilha no escuro e "glitter".
Com tanta novidade para atrair crianças, ferros na boca não são mais motivo de piada, como eram há pouco tempo. Além de acessórios fashion (da moda), o aumento do uso fez com que os aparelhos não parecessem estranhos.

                    Antes, eles não eram tão comuns. O tratamento era mais caro e acreditava-se que era preciso esperar os dentes permanentes para usá-los. Essa ideia mudou. "Os dentes são como planta. Quando nasce torta, é mais fácil corrigir antes de que cresça", diz Inês Verginia Zampieri Bof, especialista em ortodontia (correção dos dentes) infantil.
O Brasil começou a produzir aparelhos, o que os tornou mais baratos (antes, vinham de outros países).
Mordida

                A Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial calcula que, de cada 10 crianças entre seis e dez anos, 6 precisam corrigir dentes ou mordida errada -- é como se a boca fosse uma caixa, em que os dentes de cima são a tampa e precisam se encaixar direito na parte de baixo.
Com cerca de três anos, a criança já pode passar por um especialista.
Mirela Boralli Arsuffi usa aparelho móvel há seis meses para acertar a mordida. Como só tem quatro anos de idade, o tratamento deve ser rápido e acabar em mais dois meses. "Essa correção deve ser feita o mais cedo possível", diz Cássio José Fornazari Alencar, especialista em odontopediatria da Universidade de São Paulo.

É bonitinho... mas dá trabalho!

               Rafaella Cassasa, 12, ficou com medo de que os amigos não gostassem do novo visual. Mas eles aprovaram, principalmente os elásticos coloridos. Seu irmão, Rodrigo, 13, reclama que dá trabalho limpar os ferros. Mas, após cinco anos com aparelho, acha que o esforço vale para ter um sorriso mais bonito.
              Ricardo Cruz, presidente da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial, diz que, hoje, a maior parte das crianças que vai ao seu consultório quer arrumar os dentes. Caio Henrique Nunes, 10, por exemplo, tinha os dentes de cima muito para a frente. Há um ano, usa o fixo (ferros colados nos dentes). "Demoro uns 15 minutos para limpar e passar fio dental, mas eu não reclamo. Fiquei mais bonitinho."
               Ana Paula Camolez, 7, usa o móvel --aquele que é tirado para comer e escovar os dentes. A limpeza é fácil. O problema é o risco de perder. "Uma vez, embrulhei o aparelho no guardanapo e ele foi parar no lixo."

FILIPE OLIVEIRA
RAPHAEL SASSAKI
AMON BORGES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dor de cabeça frequente e estalos ao abrir e fechar a boca podem sinalizar bruxismo

 

Não tratado, o problema pode levar à perda dos dentes e lesões nas articulações da mandíbula, com sérios prejuízos à mastigação.
O clichê sempre compara uma noite de sono tranqüilo à “dos anjos”, mas um distúrbio temporomandibular, conhecido popularmente como bruxismo, pode tornar o sonho em pesadelo. Caracterizado como um hábito de ranger e/ou apertar os dentes durante o sono, além de um barulho incômodo, o bruxismo pode causar diversos problemas à saúde, entre eles, o desgaste e amolecimento dos dentes.
De acordo com estudos epidemiológicos, cerca 90% da população apresenta sinais e sintomas do bruxismo, porém apenas de 5% a 20% destas pessoas têm consciência do problema. Segundo Rodrigo Godoy, dentista especialista em ortodontia da Odontoclinic, maior rede de clínicas odontológicas do País, grande parte dos pacientes só descobrem o bruxismo após outra pessoa presenciar o incômodo noturno, ou quando procuram assistência médica ou odontológica e os sinais já são visíveis.
Como detectar
A dor de cabeça é o sinal mais comum do bruxismo, mas sintomas como estalos ao abrir e fechar a boca, alterações no sono, dor e zumbido no ouvido e dores no pescoço, mandíbula e músculos da face podem sinalizar o problema. Ainda de acordo com Godoy, a disfunção está ligada a fatores genéticos, a situações de estresse, tensão, ansiedade, ou a problemas físicos como o fechamento inadequado da boca.
Não tratado, o distúrbio pode levar à perda dos dentes e lesões nas articulações da mandíbula, com sérios prejuízos para a mastigação. Nos casos mais graves podem ser gerados problemas ósseos. “Isso acontece devido a região não estar preparada para movimentos de tanta intensidade. Quem tem bruxismo chega a apertar os dentes 12 mil vezes durante a noite, enquanto uma pessoa comum faz o movimento apenas 280 vezes”, acrescenta Rodrigo Godoy.
Tratamento
Para o diagnóstico preciso, é indicada a realização de uma polissonografia, exame que avalia o comportamento durante o sono. O procedimento identifica o grau do distúrbio e orienta como deve ser realizado o tratamento. Atualmente, a terapia mais empregada para o alívio dos sinais e sintomas do problema é a utilização de placas interoclusais, um aparelho intra-oral confeccionado com resina acrílica que tem como função evitar o atrito entre os dentes superiores e inferiores. “Elas ajudam a restringir os movimentos dos músculos mastigatórios e a reduzir o atrito que provoca o desgaste e o abalo dos dentes, porém cada caso é analisado e cuidado de forma exclusiva com visitas freqüentes ao consultório”, explica o especialista. “Vale ressaltar que hábitos como, mascar chicletes, morder ou apertar objetos estranhos também devem ser eliminados durante o tratamento”, finaliza Godoy.
O portador de bruxismo deve constantemente visitar o dentista para que seja orientado pelo profissional. Até o momento, a cura permanente do bruxismo é desconhecida e aspectos relacionados ao tratamento e causas continuam sendo estudados.
Veja algumas dicas do especialista em ortodontia da Odontoclinic, Rodrigo Godoy, sobre hábitos que podem levar ao bruxismo e como detectá-lo.
Como saber se tenho Bruxismo?
Segundo o especialista, pessoas que têm bruxismo geralmente acordam com sintomas como:
- Músculos do rosto cansados, fatigados ou doloridos
- Dor de cabeça constante
- Dentes doloridos e com sensação de amolecidos
-Hábito freqüente de ranger os dentes a noite
- Percebem-se apertando os dentes durante o dia
-Apresenta dentes desgastados
O que pode levar ao Bruxismo?
- Morder lábios e objetos
- Roer unhas
- Interferências dentais
- Interposições linguais
- Parasitas do sistema gastrointestinal
- Deficiências nutritivas
- Distúrbios endócrinos
- Alergia pediátrica
- Estresse emocional ou ansiedade

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Novidades tecnológicas fazem dentistas detectar cáries antes ignoradas



Ritchie S. King
The New York Times


Sempre que um dentista perfura um dente com a broca, condena seu paciente a continuar fazendo novas restaurações por anos a fio, a avaliação tem que ser criteriosa!

Sempre que um dentista perfura um dente com a broca, condena seu paciente a continuar fazendo novas restaurações por anos a fio

Até 2010, Amelia Nuwer, de 22 anos, costumava ir ao dentista anualmente na sua cidade natal Biloxi, no Estado do Mississippi. E a cada ano ela recebia um atestado de que gozava de plena saúde bucal: segundo ele, não havia necessidade de fazer restaurações.
Quando começou a estudar na Universidade do Alabama, porém, ela foi a um novo dentista, que deu a ela seu primeiro diagnóstico negativo: ela tinha duas cáries. Seis meses depois, o mesmo dentista disse que ela tinha outras duas. No início deste ano, ela recebeu de novo uma má notícia: mais uma cárie.
De alguma maneira, em 12 meses, ela tinha se transformado de alguém que tinha uma saúde bucal perfeita em alguém que tinha cinco cáries. "Pensei que havia algo de errado comigo", disse ela.
O dentista de sua cidade natal, Francis Janus, também ficou surpreso. Ao examinar a paciente logo após ela se formar, concluiu que havia realmente "lesões cariosas incipientes", uma forma de cárie em estágio inicial conhecida por alguns dentistas como "microcáries".
"Ele disse que teria optado por não fazer as restaurações das microcáries", lembrou ela. "Fiquei chateada e irritada".
As cinco restaurações haviam lhe custado quase 500 dólares.
O caso de Amelia não é o único. Com tecnologias de detecção cada vez mais sofisticadas, os dentistas estão encontrando - e tratando - anormalidades dentárias que podem ou não se transformar em cáries. Enquanto alguns dizem que a iniciativa de tratar as microcáries constitui uma estratégia proativa para proteger os pacientes de maiores prejuízos, os críticos dizem que os procedimentos, além de desnecessários e dolorosos, apenas aumentam os custos dos atendimentos.
"A melhor abordagem é ficar à espreita", afirmou James Bader, professor e pesquisador da Faculdade de Odontologia da Universidade da Carolina do Norte. "É importante realizar novos exames a cada seis meses".
Além disso, sempre que um dentista perfura um dente com a broca, acrescentou Bader, "condena seu paciente a continuar fazendo novas restaurações por anos a fio".
Uma lesão incipiente de cárie é o estágio inicial de danos estruturais ao esmalte, normalmente causada por uma infecção bacteriana que produz um ácido que dissolve o dente.
A lesão nem sempre leva ao surgimento de uma cárie, causa pela dissolução da camada que fica abaixo do esmalte, conhecida como dentina. Há minerais que podem reparar essas lesões, sobretudo quando acrescidos de flúor.
Primeiros estágios
Muitos especialistas acham que não faz sentido fazer restaurações nos primeiros estágios de dissolução.
"Se a perda na parede de esmalte não estiver muito clara, não se deve preencher a cavidade", afirmou Bader.
No entanto, a maioria dos dentistas está propensa a fazer as restaurações. De acordo com um levantamento dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, realizado em 2010, 63 por cento de mais de 500 dentistas americanos disseram que restaurariam um dente cariado que não tivesse progredido para além do esmalte, mesmo que o paciente tivesse histórico de boa higiene dental.
Tais restaurações costumam custar de 88 a 350 dólares, de acordo com pesquisa publicada em 2007 pela revista Dental Economics. De acordo com a American Dental Association, cerca de 175 milhões de restaurações são realizadas nos Estados Unidos a cada ano.
Os planos de saúde cobrem todas as restaurações, sejam de microcáries ou de cáries grandes, porque os dentistas são pagos pelos planos de saúde com base no trabalho que realizaram, e não nos sintomas que observaram.
"Em um mundo ideal, existiria um código de diagnóstico para cáries. Sabemos o que é um dente, sabemos o que é a superfície, mas não sabemos quão grave é uma cárie", comenta o Dr. John Yamamoto, vice-presidente da Delta Dental, importante associação da área de odontologia.
Divergências
Enquanto os dentistas diferem quanto à abordagem, a associação de dentistas oferece, intencionalmente, poucas orientações. Além de incentivar o uso de flúor e selantes dentais para prevenir cáries, ela evita fazer recomendações formais de tratamento e não tem uma política sobre o tratamento de cáries incipientes, ou da dissolução do esmalte, de acordo com um representante.
Douglas Young, dentista especialista em diagnósticos da Universidade do Pacífico, acha que a "ficar à espreita" não faz sentido.
"Se você fosse a um médico e ele diagnosticasse que você possui fatores de risco para um problema cardíaco, ele começaria a tratar os sinais iniciais da possível doença e tentaria prevenir males futuros", argumentou Young, que ajudou a desenvolver um sistema padronizado de avaliação de risco de cáries utilizado pela associação de dentistas.
Para encontrar cáries incipientes que não podem ser observadas com raios X ou a olho nu, os dentistas usam vários métodos novos e sofisticados de detecção, que incluem técnicas com fibra ótica e exames com laser infravermelho. Existe ainda um aparelho, chamado Diagnodent, que é um scanner de luz fluorescente capaz de identificar anormalidades na densidade do dente.
Mas obturar um dente com base em uma leitura feita com o Diagnodent "depende dos riscos envolvidos", segundo a Dra. Margherita Fontana, professora adjunta da Universidade de Michigan. As microcáries de um adulto com ótima higiene dental provavelmente estão menos propensas a se transformarem em cáries que devam ser obturadas do que as de um adolescente que bebe refrigerante o dia inteiro.
Porém, outros especialistas criticam o Diagnodent e outros dispositivos de detecção precoce de cáries porque tais aparelhos identificam regiões dos dentes que não estão realmente afetadas por lesões de cárie. Além do mais, mesmo com uma avaliação de riscos, é difícil saber se uma lesão verdadeira poderá se tornar uma cárie ou não.
"Não fica claro o que vai acontecer ao longo dos cinco anos seguintes", afirma Bader. "Ainda não há dados suficientes".
Gabriella Ribeiro Truman, 36 anos, que dirige uma agência de viagens em Nova Jersey, nunca teve uma cárie.
"Eu nunca passei por qualquer intervenção odontológica relevante e faço limpeza duas vezes por ano", contou ela.
Cerca de um mês e meio atrás, porém, ela foi a um novo dentista. Ele tirou algumas fotos em alta resolução de seus dentes e ampliou as imagens em uma tela. Ele identificou seis microcáries, além de uma sétima possível.
Ele disse que elas "poderiam se transformar em algo maior", lembrou Truman. "Eu poderia ter que passar por tratamento de canal e perder meus dentes".
"Você se sente desconfortável quando é colocada nessa posição", acrescentou.
O dentista lhe entregou um orçamento de 3.500 dólares para realizar as restaurações. O valor, elevado demais, a fez hesitar.
"Quer dizer que me transformei de alguém que tem uma ótima higiene dental em alguém que precisa de um tratamento assim?", questionou. "Eu prefiro ir a outro dentista antes de passar por isso".

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Laserterapia alivia dores e aftas na boca de pacientes oncológicos

O tratamento realizado por dentistas, mas ainda desconhecido por pacientes, ajuda a reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia e garante melhor qualidade de vida aos pacientes de câncer.


A odontologia avançada tem permitido aos dentistas não apenas detectar precocemente alguns tipos de câncer que se manifestam na boca, como também auxiliar no alívio da dor e no controle de efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia. O tratamento, embora com eficácia comprovada na literatura internacional, ainda é desconhecido por muitos pacientes oncológicos. Prova disso é que, embora a Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic ofereça esse serviço desde 2008, apenas 20 pacientes foram submetidos à laserterapia até hoje.


A laserterapia consiste basicamente na aplicação de laser nas úlceras, edemas, inflamações e hemorragias decorrentes da radioterapia e quimioterapia. De acordo com levantamento realizado pelos professores dos cursos de Especialização e Capacitação em Laser da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, cerca de 40% dos pacientes submetidos à quimioterapia e 100% dos que recebem radioterapia de cabeça e pescoço desenvolvem a mucosite oral (aftas na boca), manifestada na forma de edema, sangramento e eritema (inflamação) na cavidade bucal. Essas úlceras praticamente impedem a boa alimentação do paciente devido à dor que o paciente sente ao ter contato com o alimento ou bebidas.


“A Laserterapia alivia a dor e melhora a qualidade de vida do paciente ao permitir que ele passe a se alimentar mais adequadamente, tenha um aumento na salivação e melhore o paladar, ajudando em sua recuperação. A intensidade da dor é variável em cada paciente, mas, de maneira geral, essas úlceras (aftas) comprometem a mastigação de alimentos, levando, muitas vezes, à alimentação por sonda, e dificultam até a fala”, explica Daiane Thais Meneguzzo, coordenadora dos cursos de Especialização e Capacitação em Laser da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, de Campinas.


Segundo a especialista, a intensidade da mucosite pode ser um fator limitante, obrigando até mesmo a interrupção do tratamento oncológico e dificultando o controle da doença. Os tratamentos convencionais são paliativos e de eficácia bastante inferior aos benefícios alcançados pela laserterapia.


“A luz laser de baixa intensidade atua de forma indolor, alivia a dor e não apenas promove a aceleração da cicatrização das úlceras como, ainda, previne futuros episódios de mucosite oral”, explica.


Avaliação bucal


Daiane orienta os pacientes que serão submetidos ao tratamento oncológico para que consultem um cirurgião-dentista antes do início da quimioterapia ou da radioterapia para a avaliação da sua saúde bucal, visando, no caso do aparecimento da mucosite oral, a utilização da laserterapia para o tratamento ou prevenção de lesões.


De acordo com o INCA - Instituto Nacional do Câncer -, o Brasil deve registrar 489.270 novos casos de câncer neste ano, sendo 236.240 casos novos para o sexo masculino e 253.030 para sexo feminino. As neoplasias (tumores) malignas constituem-se a segunda causa de morte na população brasileira, representando quase 17% dos óbitos de causa conhecida.


A laserterapia vem sendo realizada desde 2008 pelo Centro de Tratamento de Doenças da Boca da Faculdade da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas. Nesse período, somente 20 pacientes procuraram esta modalidade de tratamento.


O atendimento gratuito é feito aos pacientes que procuram pela faculdade, são encaminhados por profissionais ou que já estão em tratamento na própria faculdade. Para o atendimento é necessário o agendamento por meio do telefone (19) 3211-3700, de segunda a sexta, das 8h às 18h.


A Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic oferece todos os tipos de atendimentos com laserterapia e laser cirurgia (junto ao Centro de Tratamento de Doenças da Boca) voltados para a Odontologia. Segundo Daiane Thais Meneguzzo, coordenadora de cursos na área, os alunos de graduação em Odontologia contam, no último semestre, com 40h/aula de laser, abordando a laserterapia, laser cirurgia, clareamento dental com luz, diagnóstico óptico e terapia fotodinâmica, o que os prepara e os diferencia para o mercado de trabalho. No centro de pós-graduação da SLMandic são oferecidos os cursos de Especialização em Laser e Capacitação em Laser. Os cursos são teóricos/clínicos e reconhecidos pelo MEC - Ministério da Educação. “Os cursos são indicados principalmente para profissionais que já possuem o equipamento laser e desejam aprender melhor suas aplicabilidades e conceitos”, indica Daiane.


A capacitação do profissional na área é fundamental para que o paciente possa usufruir de todos os benefícios que o laser oferece. “A grande dificuldade na laserterapia não está no manuseio dos equipamentos, que estão cada vez mais simplificados e portáteis, mas na dosimetria, ou seja, saber a dose a ser irradiada em cada situação clínica e adequá-la para cada paciente. Esta dose pode variar de acordo com a lesão, paciente e equipamento utilizado. Apenas o profissional capacitado terá resultados clínicos satisfatórios. Um exemplo é o tratamento da herpes, cujas vesículas podem até ser agravadas se uma dosagem errada de laser for aplicada”, diz Daiane Meneguzzo.


Aplicações


A laserterapia é indicada para acelerar a cicatrização, modular a inflamação, promover analgesia (alívio na percepção da dor) e, quando associada a um corante, tem ação antimicrobiana. Por isso, é utilizada em praticamente todas as especialidades odontológicas. “Em cirurgias orais, por exemplo, a laserterapia complementa a técnica convencional, melhorando o pós-operatório, diminuindo a dor e o edema e acelerando a cicatrização. No entanto, outros tratamentos já são realizados com o uso exclusivo do laser, como a prevenção e o tratamento de aftas e herpes simples, neuralgia do trigêmio (tipo de dor que afeta o 5º nervo do crânio, que inerva a maior parte dos tecidos orais e faciais), parestesias, paralisias faciais (sensações estranhas, como entorpecimento, formigueiro e dor), xerostomia (secura da boca) etc.”, explica Daiane Meneguzzo.


Por meio da laserterapia, além da mucosite oral, o dentista pode realizar os seguintes tratamentos: hipersensibilidade dentinária; aceleração da cicatrização, redução do edema e analgesia pós-cirúrgica (exodontias, implantodontia, cirurgias periodontais e endodônticas); disfunção da ATM (articulação têmporomandibular) com efeito analgésico, antiinflamatório e relaxante muscular; prevenção e tratamento da herpes simples e aftas recorrentes; tratamento de estomatite herpética primária; cicatrização e estimulação das glândulas salivares (para casos de xerostomia: falta de saliva); estimulação da movimentação ortodôntica e redução da inflamação e dor pós ativação do aparelho ortodôntico; tratamento de lesões nervosas: parestesia, neuralgia do trigêmio e paralisia facial; ação antiinflamatória e de cicatrização pós-raspagem periodontal e pós-instrumentação endodôntica; ação antimicrobiana em bolsas periodontais e canais radiculares - quando utilizada a técnica Terapia Fotodinâmica (PDT), que associa o laser vermelho com um corante fotossensível; tratamento de alguns tipos de disgeusia (alteração de paladar); aceleração da osseointegração na implantodontia; neoformação e bioestimulação óssea em defeitos ósseos; aumento da microcirculação local, sendo favorável na enxertia e em tecidos com falta de suprimento sanguíneo.


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